terça-feira, 2 de junho de 2015

Uma Nova Edição




Dizem que todo homem, para se sentir realizado, deveria plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.
Plantar uma árvore é fácil. Mesmo que moremos em um apartamento, podemos tomar de um vaso e plantá-la. Pode ser um exemplar minúsculo, um bonsai.
Ter um filho requer responsabilidade, dedicação. Exige tempo e nem todos estamos dispostos a isso. Ou, por vezes, é a vida que não nos permite, por variadas questões que nos envolvem.
Entretanto, sempre podemos nos tornar os protetores de uma vida, de um amigo, um parente, alguém que necessite de apoio. E teremos, mais ou menos, atendido à questão.
Será que escrever um livro é para todos? Naturalmente, se pensamos em escrever, desejamos que seja algo bom, útil, agradável.
E observamos, no mundo, tanta literatura ruim em prateleiras de bibliotecas e livrarias...
O que não nos damos conta, em verdade, é que a nossa vida pode ser comparada com a elaboração de um livro.
Podemos imaginar que, ao nascermos, um livro nos seja colocado nas mãos. Páginas em branco, que iremos preenchendo, dia a dia.
O que nelas escreveremos é decisão de cada um. Verdade é que trazemos, ao renascer, neste planeta, um cabedal de conhecimentos, de virtudes ou de vícios em nossa intimidade.
É o nosso próprio conteúdo. Na medida em que vamos crescendo, ideias, tendências irão se apresentando. Mas, a obra que vamos escrever nesta vida é inédita.
Cada dia pode ser considerado uma linha, cada semana um parágrafo, cada mês, um texto, compondo as tantas páginas os anos que viveremos sobre a Terra.
Podemos escrever um poema pleno de beleza, com versos harmoniosos. Podemos escrever uma oração, uma súplica, um louvor.
Podemos escrever palavras ásperas, de um dia de indignação ou de desespero.
Podemos escrever histórias lindas de superação, de acolhimento, de doação ao próximo.
Podemos retratar os dias de felicidade, junto aos seres amados. A felicidade da chegada de um novo ser à nossa família.
Relataremos as conquistas, os estudos, as viagens, os encontros, reencontros e desencontros.
Registraremos os dias de ventura, de sol, de muitas alegrias. Também aqueles em que a tormenta nos envolveu, um furacão nos roubou, momentaneamente, as esperanças, o frio tomou conta de nosso coração.
Quando nossa vida física se extinguir, teremos o livro pronto: fino, grosso, de poucas ou muitas páginas, de acordo com os tantos anos vividos.
E poderemos folheá-lo e ler, com vagar. Descobriremos detalhes que gostaríamos jamais tivessem sido escritos.
Quantos desajustes por tolices. Poderíamos ter sido mais compreensivos, tolerantes. Quantas páginas poderiam ter palavras mais amenas, menos dolorosas.
Como todo livro impresso, no entanto, esse não poderá ser corrigido senão com nova edição.
Por isso, é que existe a possibilidade da reencarnação. É a oportunidade do Criador nos permitir escrever um novo livro.
Utilizando o nosso livre arbítrio, poderemos reprisar todas as coisas boas que escrevemos. Poderemos evitar aquelas amargas, desagradáveis.
Somente em nós reside este poder: reescrever a nossa história, com letras caprichosas, encadernação luxuosa, dizeres de ouro.
Pensemos nisso. E como ainda transitamos pela Terra, que tal começar a escrever, no livro atual, as páginas de luz que desejamos poder ler, com alegria, ao final desta vida física?


Redação do Momento Espírita

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